MANIFESTO DA DIRECÇÃO: Este blogue “www.sortesdegaiola.blogspot.com”, tem como objectivo primordial só noticiar, criticar ou elogiar, as situações que mais se distingam em corridas, ou os factos verdadeiramente importantes que digam respeito ao mundo dos toiros e do toureio, dos cavalos e da equitação, com total e absoluta liberdade de imprensa dos nossos amigos cronistas colaboradores.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Crónica de Monforte...


Com a praça quase cheia, assistiu-se a uma corrida com bons momentos...


A corrida prometia e não defraudou. Iria assistir-se a um confronto de vários conceitos de toureio, o que é bom para a "FESTA", pena foi que nem todos os toiros colaborassem no espectáculo.

JOAQUIM BASTINHAS

Começou por receber o toiro correndo-o como mandava a tradição Portuguesa, tradição essa pouco vista hoje em dia, antes da moda de dobrar o toiro, importada do rejoneio.
Cedo se percebeu que o toiro era tardo, mas Bastinhas depois dos compridos da ordem (um deles francamente bom) e, tanto porfiou que acabou por cravar três bons curtos, montado no "Amoroso" sendo um deles extraordinário ( grande cavalo, este Amoroso...), arriscando e muito. Sacou ainda o cavalo com que normalmente bandarilha duas mãos, com o qual cravou um ferro a provar e concluiu e bem que na presença de um toiro reservado não se pode bandarilhar sem correr o risco de prolongar demasiado a lide, ou mesmo não conseguir o seu intento.

ANA BATISTA

Tocou-lhe o pior toiro da corrida. Era andarilho e atravessava-se no momento do ferro. 
Perante este cenário, a cavaleira de Salvaterra cravou a ferragem da ordem com toda a dignidade.

João MOURA CAETANO

Recebeu o toiro no "Aramis" com o qual cravou dois ferros de praça a praça numa emocionante sorte que só ele executa. Depois foi buscar o "Temperamento" e logo na saída que deu ao toiro para provar a investida deste, empolgou a assistência. A série de curtos, que foi a melhor da corrida, teve a chancela do conjunto formado por este cavaleiro e cavalo, em que a emoção se funde com o temple, dando muitas vezes a ideia de que tudo se passa ao ralanti. 
Para terminar, sacou ainda o "Xispa" com o qual cravou um ferro ao nivel dos anteiores, depois de uma brega justa e a preceito.
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JOÃO MOURA JR

Outra das boas actuações da tarde. De sáda sacou um cavalo novo (muito Arabizado ), com o qual cravou bons ferros, sendo de realçar a forma como se utilizou deste cavalo, dando-lhe a mão de forma fina, disfarçando assim e bem, as dificuldades inerentes a estes cavalos muito cruzados em Árabe.
Depois nos curtos, brilhou em excelentes ferros com batida, mas principalmente nos ladeares prolongados, que são tão só a marca da escola onde bebeu. 
Vê-se que está moralizado e preparado para enfrentar os desafios que vai enfrentar brevemente...

MARCO BASTINHAS

Recebe o toiro com o "Capa Negra" que este ano se apresenta em grande forma, dobrando-se com alegria cravando dois compridos, sendo um deles extraordinário. 
Nos curtos sacou o "Sol" (ferro Anão) e cravou ferros de emoção, arriscando ao máximo. 
Quando o toiro se começou a tornar cada vez mais reservado, então sacou o "Bom Bom" cravando dois ferros á distancia possivel que foi em muito curto com a dificuldade inerente a estes terrenos. Nesta troca de cavalo, ficou patente o seu entendimento do astado que tinha por diante.
Marco Bastinhas está moralizado, e mostra uma madurez de toureio que o vai projectar cada vez mais...

MIGUEL MOURA

O mais novo dos Mouras foi uma agradável surpresa. Ao invulgar desembaraço que sempre tem mostrado, juntou neste dia o pensamento e a calma. Dos compridos destaco o segundo. Dos curtos direi que todos foram bons e a sequência lógica da brega costumeira da casa.
Sacou por fim o "Pinguim" com o qual se adornou cravando palmitos e dobrando-se em curto com a cara do cavalo virada para o toiro.

 FORCADOS - Os Grupos de Alter, Monforte e Coimbra, cumpriram, com destaque para os de Alter que pegaram os dois toiros á 1ª.

Moura Caetano - Sai em ombros em Calzadilla de los Barrios...

Duas corridas em Espanha = Duas Saidas em ombros...



Ontem, na inauguração da praça de toiros de Calzadilla de los Barrios, João Moura Caetano obteve mais um triunfo, cortando uma orellha em cada toiro. 
No primeiro que lidou, sacou de saída o "Zidane", de bandarilhas o "Belmonte" e depois sacou ainda o "Zeus" com o qual deu ao toiro a alegria que este não tinha, vindo a entrar a matar com o "Sete".
No seu 2º toiro, recebeu com o "Aramis" dando todas as vantagens ao toiro como faz sempre com este cavalo, preenchendo de seguida o tércio de bandarilhas com grande emoção montando o "Xispa". Matou ao 2º rojão com o "Sete", tendo-lhe sido concedida só uma orelha pese embora a forte petição da segunda... 

HOJE À TARDE - CRÓNICA DE MONFORTE...

quinta-feira, 26 de março de 2015

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Porquê Ventura no Campo Pequeno ???

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Ventura tinha que vir ao Campo Pequeno...


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Os êxitos deste cavaleiro em Espanha, fazem dele nas ùltimas temporadas, o triunfador absoluto, com mais corridas toureada e mais orelhas e rabos, como troféus conquistados.

O seu toureio é recheado de improviso, emoção e soberbo arranjo das montadas. Todos os anos apresenta cavalos novos de categoria, o que é um enorme motivo de interesse para os aficionados ao toureio a cavalo. A sua entrega é total.

Com tudo isto, Ventura tinha que vir ao Campo Pequeno, era imprescindivel...



Estectáculo !!! Toiros conduzidos na praia por cavaleiros...


Toiros - 2 minutos de loucura em frança..



A força dos toiros...


quarta-feira, 25 de março de 2015

ALTER - Esposição Joaquim Bastinhas...

ALTER - Cavalos e toiros...

"Olé!" Desta semana...

Moura Caetano - Depois de Monforte, carretera e manta...

P'ra que a terra não esqueça - António Ventura...

António Ventura, um Português que reflecte o saber profundo do cavalo de toureio

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Conheci António Ventura ainda em amador e assisti á sua prova de praticante em Setubal. Passado algum tempo, um amigo comum já falecido de seu nome José Pedrosa (ganadero), convidou-me a ir vê-lo montar á "Barroca d'Alva" para equacionar poder vir a apoderá-lo. Fiquei logo aí entusiasmado com a ideia, por ver o desembaraço do cavaleiro, e mais que isso com a vontade férrea que dava força a um querer sem limites. 
 Para reforçar a quadra insuficiente, pedi ao meu amigo Angel Peralta que deixasse ao cuidado do então jovem cavaleiro, alguns cavalos novos, pouco postos, que ele se encarregaria de os pôr a tourear, e assim aconteceu.
Nesse ano toureou cerca de 30 corridas sendo 3 em Espanha, a última das quais em Palma de Maiorca. No nosso País, toureou muito no Algarve, no tempo do toiro corrido, comendo o pão que o diabo amassou, terminando a época em Salvaterra onde tomou a alternativa que não foi homologada por se tratar de uma praça de 2ª, vindo a validar a alternativa no Campo Pequeno dois anos mais tarde.
Não resisto a contar um facto passado enquanto esteve em Portugal, que revela a sua valentia e querer. Um dia disse-lhe que o Gustavo Zenkl tinha um cavalo de ferro Barahona de nome "MATAVACAS" e que o vendia barato porque o dito cavalo, quando a tourear, se atirava a morder nas vacas até as matar. Fomos a Alpompé e o António comprou o cavalo barato, como era suposto. Experimentou-o em casa, e só o desembaraço do toureiro evitou que o cavalo matasse outra vaca. Acabou esse treino, e Ant. Ventura disse-me : " Vou sacar este cavalo no sabado em Albufeira com um toiro". A decisão era temerária, mas a acção foi consumada, e o resultado foi indiscritivel. Embrulhou-se tudo e só não foi trágico por acaso. O melhor estava para vir, e veio quando o cavaleiro decidiu parar o 2º toiro no dito cavalo, garantindo-me que este jamais morderia um toiro, e foi exactamente verdade. Imagine-se o valor que é preciso para tomar esta decisão...

No ano seguinte, a casa Peralta, dado o bom trabalho desenvolvido com os cavalos que cá estiveram durante a época, convidou-o a ir trabalhar a par com os famosos irmãos rejoneadores, vindo então a fixar-se em Puebla de el Rio tinha o seu filho Diego 3 ou 4 anos, passando a ser apoderado por Manolo Morilla. Toureou por toda a Espanha e teve triunfos gordos montando o "Fuego" (ferro Cunha e Carmo) e o "CANCUN" ( ferro Peralta) dos quais fez craques, passando por praças importantes, como Las Ventas onde cortou orelhas, Barcelona, Ronda, Granada onde teve o maior êxito da sua vida ( eu vi ...), e pela maioria das praças mais importantes de Espanha.




Passados poucos anos surge o Diego e na segunda vez que este se apresenta em público em Moron de la Frntera, dele disse-me "António Ignácio Vargas": "El niño de Ventura vai ser um fenomeno...".
Daí em diante, António práticamente investiu todo o seu saber do cavalo, do toiro e da equitação na carreira do Diego. 
As quadras fantásticas do Diego, que todos os anos são renovadas, bem como os exemplares oriundos de sua casa que toureiam com outros rejoneadores, reflectem o dom do António em descobrir cavalos de toureio e o dom de lhes buscar o sitio e os pôr a tourear. 
Os alunos que passam por aquela casa, provam o bom toureio que lhes é ensinado e uma equitação eficaz, em que a submissão é total sem tirar iniciativa ás montadas.   

Hoje é indiscutivelmente, um dos homens que mais sabe do toureio a cavalo e do cavalo como individuo, pautando a sua vida e os seus negócios pela honradez, que distingue os homens de bem...

É preciso enorme nobreza, generosidade sem limites e uma humildade sem paralelo para abdicar de uma carreira, em favor de alguèm, nem que esse alguém seja um próprio filho.

Num exemplo de Portuguesismo raro, investiu no seu País e na sua terra, naquilo que o apaixona a criação de gado bravo, enquanto que outros fogem a sete pés para pôr os bens a salvo no estrangeiro.

Por tudo isto e mais alguma coisa que me tenha passado, fica este registo de António Ventura, "P'RA QUE A TERRA NÂO ESQUEÇA"...