MANIFESTO DA DIRECÇÃO: Este blogue “www.sortesdegaiola.blogspot.com”, tem como objectivo primordial só noticiar, criticar ou elogiar, as situações que mais se distingam em corridas, ou os factos verdadeiramente importantes que digam respeito ao mundo dos toiros e do toureio, dos cavalos e da equitação, com total e absoluta liberdade de imprensa dos nossos amigos cronistas colaboradores.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pedradas No Charco -  Eng. José Zuquete


 

O estado da "Festa" em Portugal

É com grande preocupação e com um misto de desânimo e revolta, que os verdadeiros aficionados da corrida à portuguesa se vão dando conta do estado de descrédito e degradação a que esta está a chegar.


Congratulam-se os inimigos da festa, esfregam as mãos os da “protectora dos animais” mas, paradoxalmente, é no seio da própria festa que se está a praticar o “hara-kiri” que a vai enfraquecendo.

De pátria do toureio a cavalo transforma-se o nosso país em pátria do nada do toureio, com a mistura que se faz do rejoneio, com uma espécie de espeta ferros em toiros e muitas vezes em novilhos para fazerem parte desses espectáculos que na maioria das vezes nos impingem, e tão do agrado das pseudo figuras do toureio. Animais sem agressividade, animais em que a bravura se transformou em docilidade, escassos de trapio, de caras cómodas, quase animais domesticados, sem perigo algum. Perante este quadro há que responsabilizar a esmagadora maioria dos que se pensam figuras do toureio, pelo comodismo a que se entregaram, ao recusarem tourear toiros sérios e que transmitam perigo, pela descaracterização que estão a consentir do toureio à portuguesa, pelo assassinar do elemento chave que é chama viva numa corrida de toiros à portuguesa – A Emoção.

Admiram-se do público não afluir às praças como há anos atrás. A mentira do “toirito” já vai fazendo estragos. Com o “toirito” os que se crêem figuras não são levados a sério, o público deixa de afluir e a festa vai estiolando.

Se pela atitude dos toureiros, digo, cavaleiros, que se consideram importantes, o toureio a cavalo em Portugal está a atravessar dos piores momentos da sua história, está na mão dos organizadores de espectáculos tauromáquicos o antídoto para obstar a este estado de coisas.

Desculpem por não falar em “empresários tauromáquicos”, mas isso é outra coisa. Tenho muito respeito pela memória de homens como José Guerra, Manuel dos Santos e Alfredo Ovelha entre outros, para poder misturá-los com quem hoje em dia, apenas vê na festa um negócio, mais ou menos lucrativo, uma maneira de aplicar dinheiro, ou num modo de se realizarem, crendo-se importantes por se passearem dentro da trincheira.

A maioria destes “organizadores de espectáculos” desaparece da mesma maneira como chegou, isto é, sem que se note a sua falta e sem terem atingido o objectivo de consideração social a que se propunham.

Para poder mexer na festa e ser “empresário tauromáquico” há que ter inteligência, seriedade, sensibilidade taurina, tudo isto envolto num manto feito de enorme amor pela festa de toiros à portuguesa. Um homem destes, terá forçosamente que se aperceber e de se dar conta de que existem no nosso panorama taurino alguns jovens cavaleiros, dispostos a jogar a vida nas arenas, toureando ganadarias ditas duras, ganadarias com perigo, dispostos a transmitir a emoção às bancadas, utilizando processos à portuguesa, dispostos a levantar o pavilhão do nosso toureio a cavalo.

Será figura do toureio em Portugal, aquele que for capaz de levantar o público dos seus lugares na bancada, sem que para isso seja necessário andar a ladear na cara do toiro e a fazer piruetas na cara do mesmo. Na maioria das vezes com o “toirito” colaborante e inofensivo.

Venha o empresário, porque toureiros há. Assim os deixem romper...

José Zúquete