
Durante muito tempo, as figuras do toureio a cavalo não bandarilhavam a duas mãos e não cravavam ferros de palmo a não ser esporádicamente na provincia, em Espanha era diferente porque a cravagem dos palmitos servia para que cavaleiro e cavalo calibrassem a investida do toiro para a sorte de matar. No nosso País por exemplo, Mestre Batista não o fazia, Zoio também não, Moura igualmente, tal como Paulo Caetano, Emidio Pinto e Manuel Jorge de Oliveira.
A Razão era tão simples quanto isto : Dizem os tratados que quanto mais pequeno é o comprimento da ferragem, mais fácil é acertar no sítio certo. Experimente o leitor acertar num ponto no chão com um pau de 1m e 40, com um de 80cm ou com um de 25cm, e verá o que é mais dificil.
Os pares a duas mãos só têm verdadeiro valor quando colocados com o toiro no meio da arena, como fazia por exemplo o Bastinhas com o " Xeque-mate" e com o "Vipi" e não só, como fazia A. Peralta com o "Lírio", e como faz hoje o Rouxinol com a "viajante", passar entre tábuas ou pelo corredor, o que não é a mesma coisa mas é quase, tem um valor relativo, e se tiverem dúvidas leiam os mestres.
Quanto ao comprimento da ferragem o regulamento é claro: "
"O Regulamento do espectáculo tauromáquico (Decreto Regulamentar nº. 62/91 de 29 de Novembro) estipula o seguinte:
Ferro comprido - Deve medir 140 cm de comprimento e possuir decoração e arpão idêntico ao da Bandarilha. Este deve partir de modo a que uma haste de 35 cm fique presa ao touro e o restante na mão do cavaleiro;
Ferro curto - Deve medir 80 cm de comprimento e possuir decoração e arpão idêntico ao da Bandarilha.
O regulamento estipula que as bandarilhas a colocar a duas mãos pelo cavaleiro devem medir 90 cm de comprimento.
Na lide de Garraios e Vacas a ferragem tem as mesmas dimensões excepto o arpão, o qual não pode exceder 3 cm de comprimento por 1 de largura.
É ainda usual, a utilização de ferros de palmo ou palmitos, com 25 cm de comprimento.
Se nos pares de Bandarilhas não há grandes exageros quanto ao comprimento, nos palmitos não sucede assim e muitos cavaleiros trazem-nos feitos de casa, trazendo á vista os tais 25 centimetros enfeitados e depois quase outro tanto tapado com fita isoladora preta, para que não se note o excesso. Isto é : Os 25 cms corresponderiam a 20 de zona enfeitada e de madeira descoberta e mais 5cm de arpão.
Infelizmente o que se vê não é o palmo vulgar (20 cm), mas sim o palmo do gigante de Moçambique, que ra de 38cm. Lembram-se do gigante de Moçambique que andou de feira em feira e acabou por morrer na "Vala do Carregado"???
Numa das minhas incursões pelos arremedos do toureio a cavalo também pus um ferro de "Palmo" numa vaca num festival da amizade em Almeirim no qual 6 cavaleiros disputavam 6 prémios ( para dar um a casda um), ganhando eu o do melhor e único palmito cravado nessa tarde e que levei feito de casa. Ao jantar, ao entregar-me o prémio Sr. Eng. João N. Azevedo "Marquês de Angeja" disse: O prémio é justo porque foste o único, mas está incorrecto porque dado o comprimento devia-se chamar "Prémio para o melhor ferro de PALMOS"
E por aqui me fico...