MANIFESTO DA DIRECÇÃO: Este blogue “www.sortesdegaiola.blogspot.com”, tem como objectivo primordial só noticiar, criticar ou elogiar, as situações que mais se distingam em corridas, ou os factos verdadeiramente importantes que digam respeito ao mundo dos toiros e do toureio, dos cavalos e da equitação, com total e absoluta liberdade de imprensa dos nossos amigos cronistas colaboradores.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Crónica da corrida de ontem no Campo Pequeno

Os mais novos não deixaram os créditos por mãos alheias


Pouco público

A corrida ficou marcada de forma indelével pela despedida das arenas, do maestro Paulo Caetano

Paulo Caetano

Já disse quase tudo sobre a actuação deste cavaleiro, ontem no Campo Pequeno. Há no entanto um aspecto de que não falei e que vou agora recordar. Saber andar na praça com e sem toiro, é um privilégio de alguns, só refinado pelo bom gosto...

João Moura Caetano

As faenas têm a justa medida, e quando o toureiro pede mais um ferro além da ordem, muitas vezes estraga a pintura porque o toiro já não corresponde. Não é por acaso que as lides têm um limite X de tempo.
Ontem, João M. Caetano toureou devagar, devagarinho como se apartasse uma corrida no campo, para depois de entendida a distância ideal do toiro que era mansote, desenhar a sorte e cravar com o máximo da emoção.
A arte não é quantificável e por isso não vou dizer se a arte de João Moura Caetano é melhor ou pior do que a arte de A, B ou C, o que eu afirmo sem dúvidas, é que o seu toureio é diferente de tudo o que se pratica, desde a suavidade das rotações da garupa quando lida, ás vantagens que dá nos compridos e á emoção com que carrega na cravagem dos curtos, em que no momento da reunião sorve a investida dos toiros com temple desusado, o que torna diferentes as suas prestações.
Tourear devagar implica coração e sentimento, e lembro-me de Alfonso Navallon classificar cruelmente de Expresso de Barbate, determinado toureiro que toureava bem mas depressa, argumentando que o dito comboio também era bonito mas passava a alta velocidade. Lembro-me também de determinada senhora pouco entendida nesta coisa do toiro, ter ido comigo á feira de Sevilha e ao ter tropeçado numa faena histórica de Curro Romero, acabou por me dizer que não percebia a emoção das pessoas quando tudo se passava tão devagar...

Vitor Mendes

No primeiro toiro toureou a gosto, conseguindo uma faena variada que o público muito aplaudiu. No segundo que lidou, o mais manso e ordinário da corrida, tirou passes onde não havia e ainda que tenha recusado a volta á praça, foi neste toiro que mais gostei de o ver, pela entrega total que deve ser exemplo para os mais novos. Parabens maestro e obrigado por poder ter saboreado, graças a ti, de este naco de honestidade toureira.

Manuel Dias Gomes

A sua primeira lide não tem muita história muito por culpa do toiro.
No seu segundo toiro viu-se um toureiro inteiro com tudo para romper.
Bonito com o capote e profundo com a muleta, fez crescer água na boca aos aficionados ao toureio apeado.
Esta estupenda actuação cheia de temple e sentimento vem certamente moralizá-lo e deixa-nos a esperança de que está ali um toureiro.

O Grp de Lisboa pegou os dois toiros á 2ª tentativa. De realçar a coragem e pundonor de Pedro Miranda, que depois de desmaiar, recuperou fazendo questão de ir ao toiro, consumando a pega com valentia.