Crónica da corrida de ontem no Campo Pequeno
Os mais novos não deixaram os créditos por mãos alheias
Pouco público
A corrida ficou marcada de forma indelével pela despedida das arenas, do maestro Paulo Caetano
Paulo Caetano
Já disse quase tudo sobre a actuação deste cavaleiro, ontem no Campo Pequeno. Há no entanto um aspecto de que não falei e que vou agora recordar. Saber andar na praça com e sem toiro, é um privilégio de alguns, só refinado pelo bom gosto...
João Moura Caetano
As faenas têm a justa medida, e quando o toureiro pede mais um ferro além da ordem, muitas vezes estraga a pintura porque o toiro já não corresponde. Não é por acaso que as lides têm um limite X de tempo.
Ontem, João M. Caetano toureou devagar, devagarinho como se apartasse uma corrida no campo, para depois de entendida a distância ideal do toiro que era mansote, desenhar a sorte e cravar com o máximo da emoção.
A arte não é quantificável e por isso não vou dizer se a arte de João Moura Caetano é melhor ou pior do que a arte de A, B ou C, o que eu afirmo sem dúvidas, é que o seu toureio é diferente de tudo o que se pratica, desde a suavidade das rotações da garupa quando lida, ás vantagens que dá nos compridos e á emoção com que carrega na cravagem dos curtos, em que no momento da reunião sorve a investida dos toiros com temple desusado, o que torna diferentes as suas prestações.
Tourear devagar implica coração e sentimento, e lembro-me de Alfonso Navallon classificar cruelmente de Expresso de Barbate, determinado toureiro que toureava bem mas depressa, argumentando que o dito comboio também era bonito mas passava a alta velocidade. Lembro-me também de determinada senhora pouco entendida nesta coisa do toiro, ter ido comigo á feira de Sevilha e ao ter tropeçado numa faena histórica de Curro Romero, acabou por me dizer que não percebia a emoção das pessoas quando tudo se passava tão devagar...
Vitor Mendes
No primeiro toiro toureou a gosto, conseguindo uma faena variada que o público muito aplaudiu. No segundo que lidou, o mais manso e ordinário da corrida, tirou passes onde não havia e ainda que tenha recusado a volta á praça, foi neste toiro que mais gostei de o ver, pela entrega total que deve ser exemplo para os mais novos. Parabens maestro e obrigado por poder ter saboreado, graças a ti, de este naco de honestidade toureira.
Manuel Dias Gomes
A sua primeira lide não tem muita história muito por culpa do toiro.
No seu segundo toiro viu-se um toureiro inteiro com tudo para romper.
Bonito com o capote e profundo com a muleta, fez crescer água na boca aos aficionados ao toureio apeado.
Esta estupenda actuação cheia de temple e sentimento vem certamente moralizá-lo e deixa-nos a esperança de que está ali um toureiro.
O Grp de Lisboa pegou os dois toiros á 2ª tentativa. De realçar a coragem e pundonor de Pedro Miranda, que depois de desmaiar, recuperou fazendo questão de ir ao toiro, consumando a pega com valentia.
