Esta era mais uma corrida da empresa Aplaudir nesta Praça, que como é seu apanágio, primou por um cartel de competição e com um curro digno de ‘’Sommer D’Andrade’’. O público encheu quase na totalidade esta bonita praça.
Os toiros alentejanos além da já referida digna apresentação, cumpriram na perfeição com excepção do quinto, levando inclusivamente a que o ganadero recolhesse dois para sementais(1º e 6º).
Vitor Ribeiro- ( toureou o primeiro da ordem para que se pudesse deslocar para o compromisso para o qual estava anunciado em Beja) esteve de forma profissional com pouca cavalaria, indo buscar ás cavalariças o cavalo árabe de Soler Garcia, que num gesto de solidariedade taurina lhe emprestou devido aos problemas de logística que acarreta tourear duas corridas no mesmo dia a 700km de distância. Volta merecida para o cavaleiro.
Joaquim Bastinhas- “ Joaquim Bastinhas é Joaquim Bastinhas” , disse-se em tempos que “ Degas é Degas”, ele foi um dos mais conhecidos e polémicos retratistas da sua época. E Joaquim Bastinhas é Degas do toureio, de forma polémica arrebata multidões e pinta retratos de arte e salero por este país fora. Esteve ao seu nível, toureiro e retratista rematou a sua lide de forma apoteótica com o habitual par de banderilhas num cavalo baio de ferro Manuel Jorge de Oliveira, mas não aquele no qual o filho executa a mesma sorte. Justíssima volta.
Tito Semedo- igual a si próprio, animado e arrimado, voltou a sofrer um percalço com um cavalo que poderia ter tido consequências maiores que o simples rasgão na orelha que sofreu, pois foi arrepiante a forma como o cavalo rodou por cima dele já no chão. Volta.
Filipe Gonçalves- O furação qual tufão arrancou o publico das cadeiras, conseguindo assim uma actuação de excelência, abriu o livro. Sacou tudo o que podia da quadra. Utilizou cinco cavalos demonstrando todos os recursos que tem à sua disposição, bateu palmas, colocou violinos, toureou a quiebro e culminou a actuação com grande par de bandarilhas como mandam os cânones com o toiro no meio da arena.
Filipe, para quando um bom cavalo de matar que também dê umas dentaditas e te ajude no salto para o outro lado de lá da fronteira.
Cá és figura, la eras um com certeza um figurão...
Alem da merecida volta conseguiu inscrever o seu nome nos triunfadores da temporada do coso nortenho.
Marcelo Mendes- teve uma actuação séria culminada também com um bom par de bandarilhas apenas conseguido ao segundo intento. Deste toureiro há ainda de louvar dois gestos, o primeiro, a quando da colhida de Tito Semedo quando num gesto de louvar saltou pronto a arena e rabejou o toiro evitando assim provavelmente consequências de maior para o colega que se encontrava a mercê do murlaco. O segundo gesto - na minha opinião fruto do excesso de zelo -, recusou acompanhar os forcados na volta a praça, aquela que seria perfeitamente aceitada até porque fortemente pedida pelo publico.
João Maria Branco- Diz-se que no meio é que está a virtude, mas ontem ela estava reservada para o fim. O jovem primou, saiu com ganas de triunfo, utilizou de forma praticamente perfeita os seus três cavalos consagrados por si postos( Malmequer, Único e Vistoso).Teve uma actuação excepcional, acabou com o quadro. Demonstrou o porquê de ser uma das mais fortes promessas da tauromaquia em Portugal e fechou assim em grande com duas voltas, esta boa corrida na Povoa do Varzim, no qual o jovem subiu mais um degrau em direcção ao estrelato proclamando-se triunfador da tarde.
Forcados De Santarém- pegaram os dois primeiros toiros a terceira tentativa por intermédio dos caras, António Imaginário e António Gomes Pereira, que estando bem naquilo que lhes competia foram ajudados de forma deficiente pela restante formação. Para o quinto toiro o cabo Diogo Sepulveda escalou para a cernelha David Romão e José Carrilho( que se estreava nessa sorte), por o toiro aparentar deficiente visão. A pega foi conseguida já depois do primeiro aviso, graças a grande trabalho realizado pelos campinos José M. Dias e José L. Dias, que além da forma primorosa como conseguiram que o toiro encabrestasse o recortaram por duas vezes a corpo limpo quando ele se arrancou com os forcados. Num gesto de toureria e sobretudo senhorio, bem característico do grupo de Santarém, a parelha de cernelheiros convidou os campinos a acompanharem-nos na volta, gesto de saudar na nossa tão conturbada Festa.
Forcados de Tomar- tres boas pegas, a terceira, quarta e segunda pelos forcados Helder Parker, Henrique Ferreira ( o da grande pega de quinta feira no campo pequeno) e Rui Manel:; Novamente falhou para as concretizações ao primeiro intento, um bocadinho mais de eficácia nas ajudas.
Ha ainda a destacar o facto de a quando do desenrolar dos cavalos três anti-taurinas terem vindo insultar os artistas, obrigando um agente da PSP, a fazer o seu trabalho identificando-as pelo crime de injuria.
.Assim vai a nossa festa.
Jaime Serra Cortesão
