Luís Maria Sousa
O Luís Maria Sousa – Micas para os amigos – técnico de radiologia, acompanha sempre o grupo de forcados Amadores de Lisboa, nos treinos, nas corridas e nas festas, fazendo parte integrante do grupo. Ao Luís falta-lhe o pequeníssimo e efémero dom do valor para se pôr diante dos toiros. Em tudo o mais, amizade, amor ao grupo, solidariedade, companheirismo e dedicação é tão importante como muitos dos que se fardam, ou até mesmo mais importante.
A sua boa disposição é uma constante, a sua formação moral é intrínseca, e por ser assim, não se trata de um tipo simplesmente adepto ferrenho do grupo, vai mais além, veste a camisola e está sempre presente sem uma critica antes pelo contrário, mostrando por todos os do grupo uma admiração apaixonada porque não é assaltado por complexos, frustrações ou recalcamentos.
No Vimioso, o cabo convidou o “Micas” a fardar-se – disse Pascal: o prazer dos grandes homens é fazer os outros felizes - e o Micas aceitou, e foi ás cortesias feliz sem nunca vacilar quando lhe puseram a hipótese de ir ajudar, demonstrando que naquele dia – talvez o mais importante da sua vida de aficionado – que estava ali por inteiro para o que desse e viesse.
Humanamente estes momentos são riquíssimos e repetem-se em vários grupos através dos tempos, estou-me a lembrar de quando Nuno Salvação Barreto fardou o meu querido e especial amigo e distinto aficcionado Eduardo Arimateia e o pôs a capitanear um grupo num Festival em Vila Franca.
Recordo-me ainda do grupo dos Académicos de Vila Franca, quando Miguel Palha convidou um amigo que estava para o grupo dele como o Luís está para o de Lisboa, amigo esse, que só com as meias calçadas desistiu, tal era o pavor de poder ser entalado.
O Luís com ligações familiares á lendária família Távora, teve o seu dia de glória e se dúvidas houvessem quanto ao carinho que a rapaziada nutre por ele, era ver a alegria de todos participando na alegria imensa do Micas subsequente á glória de vestir a jaqueta do seu grupo de coração, grupo que vive com a paixão de um romântico e a disponibilidade de um homem de bem de personalidade clara e franca ( disse o padre Manuel Bernardes: a amizade que reserva segredos não chega a ser verdadeira).
Um abraço Luís dum velho que não precisou de ver para além do olhar para te conhecer e entender a qualidade humana que te distingue.
João Cortesão
