Lisboa e Nazaré duas realidade distintas
É mais uma manhã de azáfama na baixa Pombalina, de um lado para o outro as pessoas correm, executivos engravatados, mulheres bonitas, aqui e acolá estão as vendedoras de óculos de marca, passa um puto a dizer que tem “produto”. Nas esplanadas existem alguns turistas, manga curta e chinelos apesar dos 13º C, o que é muito comparado com as temperaturas negativas nos seus países de origem nesta altura do ano.
Os funcionários da pastelaria Suíça numa correria trazem os pedidos, indiferentes se lhes pedem uma cerveja, um café ou até uma taça de vinho.
À mesma hora na Nazaré, na Avenida Marginal mais uma excursão de japoneses, chineses e coreanos “atraca” junto ao Bazar 47.
Á saída os primeiros “disparos” das máquinas digitais, o encontro com a beleza que só a praia mais típica de Portugal tem. Simpaticamente à porta desta loja está Zé Joaquim Pires, com um sorriso cumprimenta-os, e eles lá vão entrando, de tudo compram, e entre estas compras lá vai o barrete de forcado, um touro de bronze, etc. Esse símbolo da identidade única de um povo. É que a Corrida à Portuguesa, esse á genuinamente nossa. Os forcados, homens valentes de coragem e arte, esses só existem cá no burgo. Homens que se colocam frente a um toiro e corpo a corpo desafiam a morte.
Desde á muitos anos no Bazar 47 existe sempre um bocadinho de cultura tauromáquica, ou não fosse o dono o Zé Joaquim, aquele que incrementou um elevado dinamismo na Sociedade Recreativa “O Planalto”, que foi um empresário dinâmico e que ainda hoje é escutado por qualquer empresa que adjudique a praça de touros do Sítio.
Entretanto em Lisboa, cidade cosmopolita, os turistas podem levar o galo de Barcelos, a Nossa Senhora de Fátima, os bordados de Castelo Branco e um Zé Povinho das Caldas, mas nem um barrete de forcado ou campino, nem um livro de tauromaquia, um dvd, um cartaz nada disso está à venda.
Têm vergonha da nossa tradição? O negócio que tem é lucrativo demais e já estão cheios de dinheiro? Alguém os proíbe de vender estes produtos?
Será preciso vir alguém de qualquer lojeca de Espanha, um vão de escada de qualquer beco de Sevilha, Madrid ou Pueblo dizer que vende grande número de cartazes, de autocolantes taurinos (a boneca da Penélope já foi chão que deu uvas) de livros, dvd, muletas e capotes em miniatura, de porta chaves, etc?
Onde está a linha comercial de alguns lojistas?
Marco Gomes
Marco Gomes